RIW: Tecnologia, Natureza, Humanidade

09/08/2026

Como pertencer ao mundo contemporâneo, sem diluir a subjetividade? Vivemos um paradoxo: enquanto a IA demonstra capacidades inimagináveis, experimentamos profundas crises climáticas, sociais e humanas. Entre riscos e oportunidades, o futuro parece acontecer no presente, nos convidando refletir nossa ancestralidade e a nossa direção. No artigo da semana, reflexões da RIW, o conceito de simbiose e os desafios aparentes e sutis que atravessam nossos tempos.

Mais de 200 mil pessoas visitaram a Rio Innovation Week, maior Conferência Global de Tecnologia. Fazendo parte dessa multidão, meditei sobre as habilidades humanas atravessadas pelo mundo moderno. Sobre o isolamento social, a erosão da empatia, e os dados de saúde mental. Sobre ter cancelado minha presença no último dia do evento, por conta do clima.

A previsão de um ciclone no Rio, reconfigurou o dia na cidade. Ruas esvaziadas, ponto facultativo, suspensão de aulas. Alteração na rotina individual e coletiva. A ventania severa não aconteceu mas provocou reflexões ainda mais profundas. Sobre um futuro presente e a urgência do inadiável. Sobre um mundo desafiado pelas respostas da natureza.

As sábias provocações de Krenak, alertaram sobre um abismo cognitivo: fundimos com a tecnologia e nos afastamos da ancestralidade. Essa diluição do essencial nas redes generativas, aparta da subjetividade sem que percebamos.

Nutrimos uma inteligência artificial admirada e ao mesmo tempo, temida. Pensamentos e experiências pessoais, servem de elemento, de alimento, para um banco de dados global. Produzir em rede facilita a inovação e a circulação de ideias no mundo. Isso acontece, sem qualquer contrapartida. Sem direitos autorais ou preservação de autoria - como esse texto artesanal, que você agora acessa. Como tudo o que você pensa, realiza e publica nessa rede. Cada postagem gerada retroalimenta esse organismo, que literalmente se refresca na mesma fonte, para resfriar seus servidores, impactando as reservas hídricas do planeta. Um mar tecnológico capaz de "formar ou formatar pessoas". E que pode expandir ou extinguir o meio que habitamos. Uma reconfiguração para um "estilo" da humanidade - impessoal, distópica.

Há medida certa entre vida, ambiente e inovação?

Somos a pergunta e estamos na resposta.

Marcelo Gleiser e Denise Fraga, abordaram o tema finitude. Com sensibilidade, dialogaram sobre origem e curso da vida, perdas, ganhos, desafios e aprendizados. Sobre a alegria e a gratidão. Para a minha grata surpresa, Gleiser citou o Banho de Floresta como forma de reencontro com o mundo vivo, em nome do bem-estar e da saúde, da clareza de consciência.

E foi maravilhoso presenciar no evento global de tecnologia, a simbiose entre a visão ancestral de Krenak e a perspectiva cientifica de Gleiser. Dois caminhos, distintos, confluíram na resposta que buscamos. Da natureza como ponto de retorno e de integridade humana.

Nessa direção, a conferência equalizou o reconhecimento de uma necessidade intrínseca que nos conecta. A relação de interdependência entre a humanidade e os sistemas naturais, que é capaz de determinar nossa qualidade de vida e a nossa própria existência.

A maneira como decidimos expressar a vida - pessoal e em comunidade - define presente e futuro. O que vivemos é um reflexo. A colaboração entre inovação, humanidade e natureza, é uma simbiose necessária. O momento é de transcendência. O "futuro é ancestral".

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