Educar pelo futuro da infância, da Natureza, das Mulheres

O que as crianças podem aprender e ensinar, sobre respeito? No artigo de hoje, a reflexão nos conduzirá para uma visão profunda sobre a importância de cultivar, ainda na infância, o respeito e o reconhecimento de meninas, mulheres, e de todas as pessoas. E de que forma devem se relacionar com o meio ambiente, para garantir segurança e saúde ao planeta que residem? A transformação é coletiva. E se cultivada desde o plantio, uma semente pode florescer, frutificar, arvorecer, nutrindo com abundância, a si mesmo e toda a comunidade.
Masculinidade saudável.
Mais que datas e flores, entregues à mães e mulheres, quais valores podemos cultivar em nossas crianças? Educar todos os dias sobre igualdade, estimulando atitudes respeitosas e cooperativas, pode transformar o futuro da infância, a história de famílias, e de toda uma comunidade.
Repetir a configuração social construída ao longo dos séculos, faz das mulheres de hoje, vítimas de preconceito e da misoginia. Faz, do meio ambiente, território devastado. Faz do planeta, um campo minado, repleto de intolerância, e guerras.
O Instituto de Pesquisa Data Senado, revela que mais de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Em muitos casos, crianças presenciam as agressões, convivendo com a naturalização da violência de gênero - que pode acontecer através de manifestações físicas e ideológicas.
O menosprezo por mulheres e seu enquadramento em estereótipos, estão incorporados nas atitudes e nas palavras, na conduta de uma sociedade que muitas vezes a pratica involuntariamente, porque assim vivenciou, aprendeu, e replicou.
Assim, a desvalorização feminina se propaga, em todos os contextos sociais. Dentro e fora de lares - nas ruas, instituições públicas e privadas. A imposição de padrões, e desigualdades na aplicação prática de direitos, mantém a mulher em degrau inferior, a obrigando lutar por algo primordial: sua dignidade humana.
A maneira como realizamos a vida, é um espelho para quem vem depois de nós. A linguagem que usamos para traduzir o mundo e representar nossas relações, são determinantes na construção do caráter da nossa juventude. O acesso indiscriminado ao mundo digital, faz com que crianças e adolescentes adotem como referência, exemplos muitas vezes distorcidos.
Tanto meninos, como meninas, precisam apreciar conteúdos, ambientes e convivência, que sejam capazes de consolidar a generosidade, a equidade, e o respeito, a todas as pessoas e ao meio em que vivem. E esta educação precisa acontecer desde cedo. Permitindo que realizem em suas jornadas de vida, uma maneira diferente de experimentar as relações humanas, estabelecendo uma interação sustentável com o planeta.
E como as crianças do nosso tempo, estão expostas a estabelecerem maior convivência com telas, do que com a natureza e outras crianças, precisamos recalcular essa rota.
Como educar uma consciência de preservação, se o que norteia a diversão e a vida diária, é uma rede aberta, que incita a competição, o individualismo e o consumo? Se não crio intimidade com esse mundo vivo? Ampliar o tempo ao ar livre, e conduzir a educação a partir de experiências, cria a oportunidade de presenciarem uma nova configuração no futuro.
Se a natureza é considerada mãe, e se crianças a perceberem com todo o coração, todas as formas de natureza serão bem tratadas, valorizadas, reconhecidas. Formaremos adultos mais conscientes, e a oportunidade de um planeta regenerado, sem desejo de dominação.
Por fim, educação é um direito e um dever de todos nós. E uma caminhada pautada no amor, na clareza de valores e de sentido, permitirá a todos os seres, um pleno direito: a existência fluida, nobre, e feliz.
Beatriz Novaes - Palestrante, Terapeuta e Gestora de Saúde