Saúde mental contra o Colapso da Comunicação

O que é real e pode ser autêntico? O que pode ser simples, estimular a criatividade e prevenir a saúde mental? Atualmente, recorrer à "pura escrita", desviando da tentação que as ferramentas digitais nos ofertam, é uma escolha aparentemente, utópica. Diante da avalanche de conteúdos prontos e "perfeitamente estruturados" - suportados pelas revisões da IA – o ato de escrever de forma autêntica, se tornou disruptivo. Produzir conteúdo é, em sua essência, um processo criativo, que atende ao desenvolvimento critico de quem escreve e lê - com intenção e presença. Por que através da elaboração autônoma de um pensamento, nos mantemos vivos, saudáveis e libertos. Será que existem meios para desviar de uma avalanche de estímulos superficiais? No artigo de hoje, a reflexão é sobre como perseverar na expressão da própria essência, mesmo "navegando em rede". Enquanto o mundo exige a pressa e super valoriza as vantagens de uma inteligência – artificial - parece mais difícil articular opiniões com singularidade. Esse artigo não busca "demonizar" a IA. Busca valorizar o processo inato de criatividade humana. Pretende incentivar o estado de plena saúde em todas as fases da vida. Boa leitura.
Estagnar ou alienar o pensamento, prejudica nosso bem-estar de forma grave.
Uma das orientações para assegurar a saúde mental e proteger o cérebro de demências, como o Alzheimer por exemplo, é estimular de forma recorrente o nosso cérebro. Um estudo de 2020, do Departamento de Saúde Pública, da Universidade Médica da China, sugere que a leitura previne o declínio cognitivo a longo prazo em idosos, reforçando esse conceito.
Facilitar atividades que assegurem o desenvolvimento continuo de habilidades básicas, como ler e escrever, pode ajudar a prevenir os riscos para demências. Estabelecer um estilo de viver ao longo dos anos, que desvie do entorpecimento mental, amplia a oportunidade de um envelhecimento mais saudável, fortalecendo o senso de autonomia no presente e no futuro.
A queda de leitores no Brasil, aponta riscos para a saúde e para o analfabetismo funcional. Em 2024, não leitores representam 53% da população, Em paralelo, o uso de telas está em franco crescimento, e compromete a criatividade desde a infância. O Brasil é o segundo no ranking dentre os países mais conectados do mundo. Enquanto isso, pesquisas preveem que os casos de demência no Brasil, pode triplicar até 2050. Atualmente 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais, são diagnosticadas com Alzheimer.
O ato de ler e escrever desvia desses indicadores, fortalece a linguagem, o aprendizado, estabelece a oportunidade de construir um processo estruturado com início, meio e fim. Ler e escrever habilita o reconhecimento de emoções e favorece o autoconhecimento. Inspira a percepção do tempo não imediato. Escrever, quando artesanal, desenvolve o pensamento crítico, amplia sensações, cativa opiniões, e estimula nossas conexões neuronais, nos mantendo "verdadeiramente vivos".
E todo esse processo, influencia positivamente a nossa a saúde.
Ao nosso redor, um auge no processo de comunicação. A onipresença digital rompeu quaisquer distâncias e todas as barreiras. Mas essa cultura global, também provocou isolamento, vícios, padronização do pensamento, personificação da identidade. Abalou a saúde mental e física. Levantou outros muros.
A opinião pessoal corre risco, quando se rende inconscientemente à imposição coletiva. O que aparenta ser normal se estabelece como aceitável. Crenças e valores sem confundem. Naturalizamos causas e consequências. Generalizamos histórias singulares. Tudo se parece. Tudo se dilui.
Mas há momento e ocasião para aplicação todas as coisas. É possível conciliar a eficiência da tecnologia, com o verdadeiro sentido, sobre quem de fato somos.
Os livros, a letra de próprio punho, são símbolos. Transmitem memórias, sentimentos, conquistas e sonhos. Das histórias para dormir na infância, às poesias declamadas, as confidências de um diário. Das aventuras da juventude, aos cadernos caprichados, e cartas trocadas. Da produção de conteúdo com alma. Hábitos que podem perseverar em todas as fases da nossa vida. Não creio na falência da comunicação. Mas no seu resgate primordial.
Na vontade de quem a exerce, in natura. Na possibilidade de realiza-la de forma fluida, sem meta de alcance. Na versão de um conteúdo onde o sentido pode florescer, mesmo no ambiente virtual. Onde um pensamento elaborado possa acontecer, com pausa, e sem pressa. Numa versão única, que valoriza o processo e o torna muito especial. Pelo que satisfaz o que não se traduz. Pela saúde de quem escreve e lê.
Eu estarei sempre aqui, nessa direção. Aguardando por você.
Beatriz Novaes - Jornalista, Ecotuner, Gestora de Saúde e Especialista em Praticas Integrativas